Um modelo de discurso para futuros presidentes

Os pronunciamentos do presidente Michel Temer têm sido, ao menos para mim, uma grata surpresa. É evidente que não posso negar que o efeito negativo das aparições da presidente afastada pode estar sendo decisivo para essa impressão. De qualquer forma, preciso confessar que ouvir o presidente interino tem me dado bastante satisfação.

Na verdade, a forma como Temer tem se comunicado com o público vai ao encontro de uma necessidade que venho identificando há alguns anos: da mudança de como os políticos deveriam começar a se dirigir aos seus espectadores.

Para meus alunos que são vereadores, secretários e que possuem pretensões políticas, eu tenho dito que, apesar de não vermos esse modelo sendo utilizado pelos políticos atuais, já passou da hora deles começarem a falar com sua platéia de uma maneira mais natural – algo que os políticos sempre abriram mão de fazer.

A forma como o presidente Temer tem falado em público, considero eu, inaugura uma maneira nova do representante máximo do país de se pronunciar. Até Fernando Henrique Cardoso, vigorou a maneira tradicional, protocolar e formal, que respeitava as normas cultas da língua, mas que abria mão de um contato mais direto com os ouvintes. Eram falas produzidas previamente, sem riscos e sem naturalidade. Já Lula inovou completamente. Com sua tagarelice inata, trouxe à presidência uma maneira descontraída de se comunicar, se dirigindo ao público como um igual e deixando espaços enormes para o improviso. No entanto, esteticamente era um discurso feio, que não respeitava as regras mais básicas da gramática portuguesa e que dava a impressão de estar abaixo do nível adequado à posição de autoridade do orador.

Em relação a Dilma, não há muito o que falar, senão que ela não se encaixa em qualquer nível qualificável de oratória. A presidente afastada é completamente inepta para fazer um mero discurso em festa de crianças, quanto mais em pronunciamentos como Presidente da República. Ouvi-la é, ao mesmo tempo, constrangedor e engraçado, tal sua incapacidade de formular as frases mais simples e de respeitar as normas mais comezinhas da língua.

Quando ouvi Michel Temer, portanto, em seu primeiro discurso como presidente, realmente a surpresa foi muito grande. Ainda mais considerando que Dilma havia também se manifestado há apenas algumas horas antes. Sua fala, além de esteticamente muito bonita, respeitando a norma culta, ainda trazia um elemento não encontrado normalmente em discursos políticos: uma certa dose de naturalidade.

Sim, pois apesar de ser um homem de mais de 70 anos, falando de uma maneira correta, sem gírias, nem informalismos desnecessários, escolhendo as palavras minuciosamente, ainda assim ele tem conseguido transmitir, com seu jeito, bastante sinceridade e honestidade.

Sua carreira como professor universitário talvez tenha lhe ajudado nisso, mas ouvir Michel Temer tem sido como ouvir um avô ou tio mais velho falando. Sem abrir mão das exigências próprias do cargo que ocupa, ele não tem se prendido a um protocolo rígido, mas permitido a si mesmo dirigir-se à nação como alguém que busca dentro de si as palavras adequadas para aquele exato momento.

Provavelmente, a maneira como temos visto o presidente Temer falar em público seja muito parecida com a forma como ele fala em ambientes privados. Se for isso, então ele possui duas virtudes que devem ser exaltadas. A primeira, a de não deixar-se cair, mesmo em sua vida particular, em coloquialismos bocós e degradantes. A segunda, conseguir trazer para seus discursos públicos uma forma de expressão muito próxima da sua própria, o que lhe dá ares de naturalidade.

Acredito, sinceramente, que os discursos de Michel Temer poderão servir, sim, como modelo para novos políticos. Principalmente aqueles que pretendem manter seu linguajar em alto nível, sem perder, portanto, a força da comunicação com o povo.

Reductio ad Hitlerum ampliada

É bem provável que você conheça o truque retórico chamado reductio ad Hitlerum. Por meio desse instrumento de discussão, o debatedor, com o intuito de caracterizar o argumento adversário como algo reprovável, de antemão, o compara a alguma ideia, real ou criada, do nazismo ou do próprio Hitler. Com isso, ele acredita obter a vitória, simplesmente por achar ter impugnado o adversário dessa maneira.

Normalmente, a reductio ad Hitlerum é uma grande pilantragem. Quem usa desse artifício quer apenas encerrar a discussão sem, na verdade, adentrar no problema debatido. É, simplesmente, um xingamento travestido de argumentação.

E o que acontece hoje, em grande parte das discussões políticas que vemos por aí, é a universalização dessa artimanha. Não que a vinculação das ideias do adversário com o nazismo seja a única forma de desqualificar o oponente. A coisa é ainda pior! No imaginário político nacional, foram criados diversos outros “Hitlers” que servem de referência indubitável de maldade e erro, com os quais basta comparar o adversário para acreditar que ele está vencido na disputa.

Além do nazismo, que continua a servir de modelo de algo reprovável, principalmente no Brasil foram criados diversos outros símbolos de maldade, como o governo militar, o neoliberalismo, o ex-presidente Collor, o coronel Ustra, o imperialismo americano, a CIA, agora o Eduardo Cunha entre tantas outras referências criadas artificialmente para servirem de exemplos de algo condenável.

Basta comparar o oponente do debate com qualquer uma dessas figuras para tê-lo por impugnado de pronto. E quem usa desse truque ainda sai da discussão com o peito inflado, crendo que, com isso, venceu a disputa de maneira gloriosa.

Tal artifício tem sido usado, atualmente, de maneira tão ampla e abundante que discutir qualquer coisa tem se tornado algo impossível. A pressa em reduzir o adversário a um mero reflexo de modelos reprováveis, faz com que não haja mais troca de argumentos, nem verdadeiros debates, apenas um jogo onde o objetivo é conseguir encaixar o inimigo em algum tipo de modelo de perversão, maldade ou violência.

O resultado dessa universalização do truque é, obviamente, o emburrecimento em massa. Isso porque, a partir do momento que não há mais trocas de argumentos, a lógica e o raciocínio são simplemente desprezados. O que resta é apenas a manifestação histérica de pessoas que vivem correndo desesperadamente para denunciar o outro, inserindo-o em algum modelo pronto de tipo reprovável.

Assim, o que resta são apenas os gritos de fascista, homofóbico, nazista, misógino, torturador, quando não estuprador, homicida, genocida, ainda que tais rótulos surjam apenas por uma comparação tardia e frágil com modelos falsamente criados exatamente para impedir a discussão e condenar antecipadamente o adversário.

A continuar assim, chegará um momento que não mais será necessário, nas discussões públicos, que os oponentes troquem quaisquer palavras entre si. Bastará levantar plaquinhas, com os nomes das referências de maldade de sua preferência, para darem-se por satisfeitos e sairem cantando sua vitória no debate.

O bom debatedor

Discussão

Não discuta apenas pelo prazer da discussão, nem discorde apenas pelo prazer da discordância. O debate é bom, mas, para isso, precisa ser exercido por almas dispostas a se abrirem à verdade. Claro, que as partes tendem a defender suas posições, a insistirem em suas ideias. Porém, tal postura, para o bem da razão, jamais deve ser tomada de uma maneira tão empedernida que impeça que argumentos verdadeiros lhe convençam. Infelizmente, um debatedor assim é mais raro que diamante vermelho.

Falastrões debatedores: uma espécie a ser combatida

Falastrão

Quem já tentou debater com uma pessoa ignorante sabe o quão desgastante pode ser tal experiência. Quando me refiro a ignorante, quero dizer daquela pessoa que não tem a mínima noção do que está falando, no entanto, acredita, sinceramente, que é um expert no assunto. Diante disso, não perde nenhuma oportunidade para dar palpites, mesmo que ninguém tenha sequer cogitado a conveniência de sua intervenção.

E se engana quem acredita que esta é uma espécie rara. Muito pelo contrário, seu tipo tem se reproduzido de tal maneira por estas terras, que é quase impossível, após alguém dar alguma opinião coerente sobre alguma coisa, não surgir alguns exemplares deles, dando a conhecer aquilo que se encontra armazenado em suas entranhas.

Para os pertencentes do tipo, a necessidade de emitir opiniões é infinitamente mais forte do que a vontade de conhecer, causando, neles, uma angústia enorme, forçando-os a expelirem a matéria que se encontra já apodrecida em seus intestinos, não deixando dúvidas, para quem passa por perto, por causa do mal estar causado pelo conteúdo compartilhado, que estiveram por ali.

O pior é que são arrogantes, mas isto tem uma explicação lógica. Como o que eles possuem dentro deles é algo muito limitado, aquilo que sabem lhes parece tudo. Sendo assim, não é difícil concluírem que sabem tudo. Por causa disso, não sentem nenhuma necessidade de aprender, ao mesmo tempo que sentem-se absolutamente seguros para falar tudo o que pensam. O resultado é a expelição de tudo aquilo que ruminam, contaminando, onde quer que o façam, o ambiente.

Quem já mexeu com um gambá sabe o quanto pode ser desagradável o odor que ele expele. Quem já segurou uma joaninha sabe que seu cheiro pode impregnar nas mãos por um bom tempo. Mas muito pior é tratar com a espécie relatada acima. Enquanto aqueles simpáticos animais afetam, no máximo, nossos sentidos mais superficiais, os falastrões debatedores têm a capacidade de destruir o humor e paciência de qualquer um.

Por isso, a tolerância não é a melhor maneira de lidar com eles. A melhor solução é, sem nenhum dúvida, expeli-los antes que se manifestem.

Vença o medo de falar em público

O medo de falar em público é universal e é bem provável que você também o sinta. Muitas pessoas têm pavor só de pensar que terão de se apresentar diante das outras. Em meus curso, já vi de tudo: gente chorando, passando mal, esquecendo todas as falas e até ficando paralisadas.

Uma coisa, porém, é certa: em minha experiência como professor de Oratória, todas os alunos que passaram por mninhas aulas conseguiram vencer esse medo.

Assim, posso lhe garantir que SEI COMO AJUDAR VOCÊ!.

Para isso, estou lhe oferecendo uma série de 4 vídeos chamados “Vença o medo de falar em público”, nos quais eu apresento as causas desse temor e dou dicas de como vencê-lo.

Para assisti-los, é muito simples: basta fazer sua INSCRIÇÃO GRATUITA e você receberá, em seu email, os links das aulas.

Aproveite e supere mais esse obstáculo em sua vida!

Fabio Blanco

O uso da generalização é um artifício inteligente

Constantemente, me deparo com reclamações por causa de alguma generalização feita por alguém. O protesto sempre se dá no mesmo sentido: a de que a generalização é injusta, pois nem todas as pessoas se encaixam na descrição proposta. Por exemplo, alguém diz que os políticos estão sempre buscando seus interesses e logo vem outra pessoa dizendo que ele não pode generalizar, pois há políticos que não são assim.

Sinceramente, essa reclamação é muito estúpida! Isso porque uma generalização, quando usada como recurso linguístico, não pretende, realmente, afirmar que todas os representantes de um grupo, espécie ou classe são mesmo de tal e qual maneira, mas, apenas, toma o exemplo comum, observado de um certo número de indivíduos, e, por amostragem, afirma isso do geral.

Ocorre que essa operação intelectual é apenas um recurso para facilitar a linguagem e a comunicação. A generalização já pressupõe que há exceções. No entanto, estas confirmam a percepção que deu origem a própria generalização, pois se existem exceções é porque, em geral, as coisas são mesmo como o argumentador propôs.

O pior é que a própria pessoa que reclama acaba confirmando a tese, quando diz que não pode haver generalização, pois há exceções e nem todos são daquele jeito. Ora, o que ela não percebe é que se nem todos são de tal maneira é porque provavelmente a grande parte é, o que justifica a generalização. Ao reclamar da generalização acaba confirmando o que o autor propôs.

Generalizar, diferente do que pressupõe algumas pessoas, é um artifício inteligente, que facilita a linguagem, que permite a comunicação e que evita que o autor tenha que o tempo todo ter de informar que há exceções para o tipo descrito por ele. Aliás, sempre há exceções, o que deveria ser óbvio para todo mundo.

 

Curso: “Como falar em público”

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O que é o Curso Online “Como falar em público”?

É um curso que ensina o aluno a compreender a natureza da comunicação, entendendo como se dá a relação do orador com o público e oferecendo informações essenciais de como atuar quando se está falando em público.

Para quem é destinado este curso?

Para pessoas que sentem dificuldades em se expressar diante de uma plateia. Todo aquele que sente que falar em público é um obstáculo e que percebe que isso atrapalha sua vida deve fazer este curso.

Para que serve o curso?

O Curso Online de Oratória prepara o aluno para palestras, direção de reuniões, ministração de aulas, pregações, apresentações de trabalhos universitários e qualquer situação que seja necessário falar para mais do que duas pessoas de uma só vez.

Qual é o método?

A forma como o professor Fabio Blanco ensina é bem simples. Ele disponibiliza vídeos com ensinamentos e dicas sobre como desenvolver uma boa apresentação e faz análises pessoais sobre a forma como cada aluno se apresenta.

Quantas aulas são disponibilizadas?

São disponibilizados 8 vídeos, com, em média, 15 minutos de aula. Após, serão abertas inscrições para outros cursos, por meio das quais serão, ensinados, por exemplo, métodos para montagem de um discurso ou como preparar aulas.

Além das aulas, há mais alguma forma de interação com o professor?

Sim, cada aluno terá direito a um contato pessoal, via Skype, com o professor e poderá, também, enviar 2 vídeos para serem analisados por ele.

Como esses vídeos são enviados?

O envio de vídeos não é obrigatório. No entanto, se o aluno quiser, deverá publicar em qualquer servidor disponível, como Youtube, Vimeo ou outro, disponibilizando o link para o professor.

Qual o valor do curso?

O valor original do curso é de R$ 149,90. Porém, durante algum tempo ele será disponibilizado por R$ 49,90, como forma de divulgação.

PLANO DE AULAS

Aula 01 – A conquista da atenção

Aula 02 – O despertar do interesse

Aula 03 – O acompanhamento do raciocínio

Aula 04 – A autoridade do orador

Aula 05 – A credibilidade do orador

Aula 06 – O entusiasmo

Aula 07 – A criatividade

Aula 08 – Os elementos não-auditivos




Entrevista do professor Fabio Blanco, no jornal A Tribuna de Santos

Entrevista FabioO professor Fabio Blanco foi convidado pelo Jornal A Tribunal de Santos para falar sobre discursos políticos. Ele falou sobre a característica desse tipo de discurso e como os políticos falam de uma maneira diferente em cada situação.. O resultado dessa entrevista foi essa matéria que segue abaixo.

 

 

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A mornidão dos debates políticos e a frouxidão da oposição

wpid-Photo-11092014-1922.jpgOcorreu o primeiro debate dos candidatos a presidência da República, no Brasil, em 2014. Um debate desse tipo deveria servir para esclarecer o eleitor sobre o que passa na cabeça daqueles que estão pedindo seu voto e para deixar claro, em uma linguagem compreensível ao homem comum, sobre os planos que eles têm para o país. O que vimos, no entanto, não foi nada disso. Parece que o que menos importa é aquele que realmente decide tudo: o eleitor.
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