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O Exercício da Imaginação

wpid-Photo-10062014-1533.jpgDeve o orador exercitar a sua imaginação. E esta não consiste apenas em viver situações possíveis, mas, e sobretudo no campo intelectual, em saber tirar todo proveito de uma idéia, desenvolvê-la, cercá-la de novas contribuições, com ela conexionadas. Como meios para desenvolver a imaginação, oferecemos os exercícios analíticos, que tanto temos recomendado em nossos livros.

Tomar um pensamento e desenvolver as idéias afins, situá-lo em face de outras, deduzir os pensamentos correlatos, coordená-lo com outros, eis o exercício que deve sempre realizar aquele que deseja, nessa bela arte, tornar-se um dominador.

Examinaremos este pensamento de Cícero: “Um bom cidadão é aquele que não pode tolerar em sua pátria que um poder se coloque acima das leis“.

Examine primeiramente palavra por palavra do período. Principie por estas: um bom cidadão. Há cidadãos; mas os há bons e maus. E que se entende por um cidadão bom? Não é apenas aquele que tem os foros da cidadania, aquele que goza dos direitos civis numa coletividade. Um bom cidadão é aquele que serve de exemplo aos outros, aquele que honra o direito que lhe foi conferido, aquele que atua em respeito às normas que esse direito estabelece. É aquele cujo atuar e proceder se coadunam com os interesses maiores da coletividade a que pertence.

Só é bom cidadão quem assim procede. Compare-o agora ao mau cidadão. Desenvolva, já neste momento, um exame do que é bom e do que é mau, em face da cidadania. Exercite agora mesmo a sua imaginação criadora. Desenvolva os pensamentos que se conexionam com o cidadão bom e o cidadão mau.

Prossiga, depois, no exame do pensamento de Cícero. “É aquele que não pode tolerar”. Tolerar é admitir, permitir sofrer sem resistência ou sem maiores resistências; é condescender, é desinteressar-se, etc. Associe todos os pensamentos possíveis que com aquele se podem analogar. Examine as analogias, busque um dicionário, tome os termos afins. O cidadão que tolera e o que não tolera. O que tolera o que não é nobre e digno não pode ser um bom cidadão. Procure as razões. Alinhe-as, examine-as, veja as que são mais fortes e poderosas e as que são frágeis. Procure robustecê-las.

Prossiga depois, no exame do resto do pensamento: “…em sua pátria um poder que se coloque acima das leis”. As leis devem ser a expressão da justiça. O direito não é algo arbitrário, mas algo que condiz com a justiça, com que representa a mais elevada conveniência de uma coletividade. Um poder que abusa de sua força. Para a boa ordem de uma sociedade são imprescindíveis leis justas e consentâneas com o interesse da coletividade, no tempo e no espaço, não só da coletividade presente mas também das vindouras.

Leve a sua imaginação a examinar todos os pensamentos possíveis que daí podem advir. E, finalmente, acabará por concluir sobre o grande valor desse pensamento de Cícero que, amanhã, muito lhe servirá ainda em suas futuras orações.

Eis um exercício para desenvolver a imaginação. O exemplo que damos poderia servir-nos para longas digressões, mas o estudioso da oratória logo apreenderá o alcance desse exercício, que não só desenvolve a imaginação criadora, como, sobretudo, a inteligência, porque esta é estimulada por aquela. Estimulando a imaginação a criar, desenvolve-se a inteligência, a suspicácia, a percuciência, a clareza, a acuidade mental, a solércia e a sabedoria, em suma.

Um orador que não desenvolveu a sua imaginação, nunca será o criador em seus discursos. Desenvolvê-las é preparar o terreno para a palavra mais fácil, mais fluente, e também para o discurso mais elevado.

Trecho extraído do livro Práticas de Oratória, de Mário Ferreira dos Santos.

 

2 thoughts on “O Exercício da Imaginação”

  1. entrei em sua página por acidente , e li sobre seus pensamentos em relação ao ISLÃ e aos muçulmanos , e pude observar que o Sr. nada conhece de oriente médio e tão pouco dos problemas políticos e sociais ,instalados pela França ,Inglaterra , EUA e Israel . É uma pena um professor tecer comentários pessoais sem conhecimento. Lamentável. Sou muçulmano e tenho diversos amigos judeus , cristãos ,ateus , etc … e sempre tratei muito bem a todos e a recíproca acontece até o momento. Lamentável sua falta de conhecimento sobre o assunto.

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