Rua Alexandre Herculano, 197, sala 708, Gonzaga, Santos/SP

Whatsapp (13) 97424-6920 liceudeoratoria@gmail.com

Monstros de nossa imaginação

Na primeira aula de meu Curso de Oratória falo sobre o medo e sobre minha constatação de como muitas pessoas perdem oportunidades preciosas na vida por causa dele. Sim, eu conheço pessoas, e talvez seja até o seu caso, leitor, que chegaram a negar determinados cargos, que não aceitaram assumir responsabilidades que as obrigavam falar na frente de várias pessoas ao mesmo tempo, simplesmente porque tiveram medo. Com isso, perderam oportunidades de empregos, de negócios e de contatos que, muitas vezes, eram o sonho da vida delas.Isso demonstra como o medo pode ser paralisante. E frustrante porque, obviamente, a pessoa acaba se sentindo culpada e fracassada quando cai em si e percebe que deixou de dar um passo em sua vida simplesmente porque ficou com medo.

O medo causa uma sensação de impotência. Quem sucumbe diante dele sente-se arrasado e tem a impressão de ser um fraco. Viver com medo, além de absurdamente desgastante, é um verdadeiro desperdício.

Por isso, logo no início de meu curso, costumo perguntar para meus alunos: “do que vocês têm medo?”. Normalmente, quando faço essa pergunta, percebo que o olhar deles vagueia pelo ambiente, mas, normalmente, nenhum deles tem uma resposta certa para me dar. Isso acontece, de fato, porque eles não sabem identificar o que lhes traz temor. Mesmo quando eu insisto e peço para eles descreverem a pior cena que suas imaginações lhes apresenta, ainda assim ficam vacilantes quanto ao conteúdo do medo que os domina.

Na verdade, se observarmos bem, a maioria dos nossos temores são monstros fantásticos criados pela nossa própria imaginação. Nosso temores têm pouco de realidade e muito de imagens fabricadas que quase nunca se materializam. Os perigos reais, na verdade, costumam nos causar menos medo do que os imaginários. Veja, é muito mais perigoso viajar de carro, pelas estradas brasileiras, do que de avião. Estatisticamente, a chance de alguém sofrer um acidente aéreo é mínima, enquanto um acidente rodoviário chega a ser até provável. Porém, o número de pessoas que temem viajar de avião é imensamente maior do que aqueles que têm receio de pegar um carro e sair pela estrada.

Disso, podemos concluir que, quando o assunto é medo, somos, de fato, escravos de nossa própria cabeça. Nos subjugamos diante de monstros fabricados no nosso interior e deixamos que eles determinem nossos passos.

Quanto ao medo de falar em público, dizem algumas pesquisas americanas, chega a ser mais generalizado do que o medo da morte. Mas o que faz as pessoas temerem tanto discursarem diante de outras pessoas? Na verdade, não há nada de concreto nisso. Dificilmente, a situação real, por pior que seja, vai levar um público a ter uma reação maior do que o simples desinteresse pelo que o orador está falando.

Mas o medo que as pessoas têm de falar em público é algo muito maior do que simples receio de que as pessoas não demonstrem interesse pelo que elas dizem. É um temor desproporcional ao perigo. Portanto, o medo de falar em público não é, decididamente, o medo de um perigo real, mas, sim, de uma criação mental.

E é isso que deve ser trabalhado antes de tudo no aluno de um Curso de Oratória.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *